Editorial

N.º 15 - dezembro 2017

Ana Ferreira
Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, NOVA/ FCSH; (CICS.NOVA), Avenida de Berna, 26 C, 1069-061, Lisboa, Portugal. Email: aferreira@fcsh.unl.pt

Joana Azevedo
Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL), Av. das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa, Portugal. Email: joana.azevedo@iscte-iul.pt

Dalila Cerejo
Universidade NOVA de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, NOVA/ FCSH; (CICS.NOVA), Avenida de Berna, 26 C, 1069-061, Lisboa, Portugal. Email: dalilacerejo@fcsh.unl.pt

É com grande satisfação que apresentamos mais um número da SOCIOLOGIA ON LINE, revista da Associação Portuguesa de Sociologia. Com este número encerramos o ano de 2017 e contamos sete anos de publicações ininterruptas onde se tem privilegiado a publicação de artigos científicos originais que mobilizam, em larga medida, textos de reflexão sobre a formação da sociologia e a profissionalização dos sociólogos assentes em quadros teóricos e abordagens metodológicas da sociologia.

Mas nem só de continuidades se construíram estes anos e estas publicações. Desde o número de abertura, em 2010, até ao actual, introduziram-se múltiplas alterações no formato, edição, controle de qualidade, disseminação e comunicação da revista e dos artigos científicos aqui publicados. Particularmente relevante foi o início de um processo de indexação em bases de dados internacionais de revistas científicas nomeadamente na SHERPA/RoMEO, Latindex e ERIH PLUS, um processo que continuará mais intensamente ao longo do próximo ano. Actualmente, todos os artigos publicados na SOCIOLOGIA ON LINE têm DOI (Digital Object Identifier), que permite um acesso rápido e fácil a todos os trabalhos, e a licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International (CC BY-NC-ND 4.0). Esta licença indica, por um lado, que os artigos publicados pela SOCIOLOGIA ON LINE podem ser “lidos, descarregados, copiados, distribuídos, impressos, pesquisados, referenciados ou utilizados para qualquer propósito legal e não comercial”, e por outro, que os autores dos mesmos “detêm o controle sobre a integridade do seu trabalho e o direito a ser reconhecidos e citados”.[1] Esta licença conjuga assim as vantagens do acesso livre ao conhecimento, com o reconhecimento de quem o produziu.

Actualmente, todos os artigos submetidos à revista da Associação Portuguesa de Sociologia são sujeitos a um sistema de controlo de qualidade que se inicia com uma avaliação editorial realizada pela Direcção da revista e que é seguida por uma avaliação independente de pelo menos dois especialistas, sob condições de duplo anonimato. Este sistema de revisão assegura um elemento de crítica científica aos trabalhos submetidos e permite uma afinação dos textos originais que pretende garantir por um lado, uma análise e discussão sociológica mais robusta, e por outro, uma melhor comunicação dos textos ao público-alvo da revista.

No que diz respeito ao corrente número da SOCIOLOGIA ON LINE, poderemos encontrar uma multiplicidade de objectos de estudo, quadros teóricos e abordagens metodológicas reveladores da diversidade e dinamismo da actual investigação sociológica. Apresentamos aqui cinco artigos científicos que se debruçam sobre temas como a educação em contextos não formais e a inclusão na escola, como a construção social dos papéis de género na sociedade magrebina e a corporização das dinâmicas de Poder, mais especificamente das que subjazem ao conflito sírio, a partir de uma análise de dois espectáculos de dança-teatro contemporâneos. Em último lugar, apresenta-se uma recensão crítica à coletânea Reverse Shots: Indigenous Film and Media in an International Context das editoras Wendey Gay Pearson and Susan Knabe.

Mais concretamente, o número inicia-se com o artigo “Adaptar para adotar melhor: etnografia em núcleos de educação musical na Venezuela e em Portugal” de Alix Didier Sarrouy. Com este trabalho é-nos permitido acompanhar e reflectir sobre as complexidades e valências de dois programas socioeducativos que recorrem à música sinfónica como instrumento de educação e cidadania em contextos social e economicamente desfavorecidos.

O número prossegue com o texto “O que andam a dizer sobre educação, museu e cidade educadora?” de Cristina Carvalho, João Teixeira Lopes e Clarisse Cancela onde os autores partem de uma análise bibliográfica para abordar o papel dos museus, e do Museu Monteiro Lobato, em particular, no âmbito da educação. O trabalho apresentado neste artigo revela uma reduzida reflexão sobre a relação que se estabelece entre os museus e as cidades educadoras, e aponta para uma necessidade de investigação científica que tenha por enfoque esta temática.

João Feijão e Nélia Freitas apresentam-nos o artigo científico “O trabalho de inclusão escolar à prova das singularidades dos alunos: formas, condições e limites do reconhecimento da vulnerabilidade nas escolas” onde reflectem sobre o reconhecimento e inclusão na escola de alunos com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Mobilizando uma abordagem qualitativa os autores discutem as ambivalências presentes nas actuais instituições escolares que por um lado normalizam diferenças, e por outro, reconhecem a singularidade destes alunos.

No artigo que se segue deixamos a temática da educação para nos retermos numa análise de duas performances de dança-teatro. Em “Os desaparecidos, os fantasmas e o corpo como arquivam: analisando o conflito sírio na performance contemporânea”, Sílvia Raposo apresenta-nos uma análise e reflexão dos corpos enquanto locus privilegiados das dinâmicas de Poder, materializadores, nos casos em análise, de “arquivos” do conflito sírio.

Seguimos para o território magrebino com o texto “Sexo, espaço público e cidadania no Magrebe” de autoria de Nassima Dris. Neste artigo, a investigadora reflete sobre os processos que subjazem à permanência de desigualdades entre mulheres e homens no espaço público do Magreb. O artigo revela-nos que as mulheres magrebinas permanecem, na generalidade, áticas encerradas no espaço familiar, estando a sua participação no espaço público, amplamente obstruída por permanentes processos de neutralização mediados por “acomodações razoáveis”.

O número termina com uma recensão crítica de Paula Sequeiros ao livro de Wendey Gay e Susan Knabe intitulado Reverse Shots: Indigenous Film and Media in an International Context. Trata-se de uma colectânea editada em 2014 pela Wilfrid Laurier University Press onde as autoras questionam a globalização do cinema e dos meios de comunicação indígenas e reflectem sobre os sentidos do Colonialismo e Pós-colonialismo.

É nossa convicção que este número da SOCIOLOGIA ON LINE oferece um contributo relevante não só para o questionamento da realidade social, mas também para a sua análise e compreensão. É objectivo da Direção da revista que, em 2018, esta se continue a afirmar como um espaço privilegiado de reflexão sociológica da nossa comunidade profissional, científica e académica. Para a sua concretização, gostaríamos que continuassem a confiar os vossos trabalhos e tempos de leitura à revista da Associação Portuguesa de Sociologia.

Nota

[1]    Ver condições de publicação, licenciamento e copyright no site da revista SOCIOLOGIA ON LINE, disponível em https://revista.aps.pt/pt/licenciamento-e-copyright/).

Autores: Ana Ferreira, Joana Azevedo e Dalila Cerejo

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2018-03-07T18:57:38+00:00