2025, n.º 37, e20253713
Ricardo Luiz Sapia de Campos
ROLES: conceptualizacion, investigation, project administraction, review & editing
AFFILIATION: Universidade Federal de São Carlos, CCN – Centro de Ciências da Natureza.
Rodovia Lauri Simões de Barros, km. 12, cep: 18.290.000, Buri, São Paulo, Brasil
E-mail: ricardo@ufscar.br | ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9132-1659
Resumo: O texto que se apresenta resulta de uma pesquisa realizada entre 2020/2022 em aldeias do norte alentejano. O principal objetivo desta investigação teve como foco a análise de elementos estruturais da sociabilidade local, resultantes do desenvolvimento da “nova pastorícia” (expansão da indústria da carne denominada “Pasto Alentejano”l). Em termos metodológicos privilegiou-se a etnografia. Concluiu-se que a “nova pastorícia”, vai muito além da dinâmica da criação de gado e que os elementos de sociabilidade se materializam na valorização do território “vocacionado à pastorícia”.
Palavras-chave: “nova pastorícia”, norte alentejano, sociabilidade local, indústria da carne.
Abstract: The text presented here is the result of research conducted between 2020 and 2022 in villages in the Northern Alentejo region. The main objective of this investigation was to analyse structural elements of local sociability resulting from the development of “new pastoralism” (expansion of the meat industry known as “Pasto Alentejano”). In methodological terms, ethnography was prioritized. It was concluded that the “new pastoralism” goes far beyond the dynamics of livestock farming and that the elements of sociability materialize in the appreciation of the territory “suited to pastoralism”.
Keywords: pastoralism, northern Alentejo, local sociability, meat industry.
Introdução
Este artigo foi escrito a partir de pesquisa realizada entre julho de 2020 até julho de 2022 em quatro aldeias do norte alentejano do distrito de Portalegre[1]. O trabalho em desenvolvimento está inserido em um projeto de investigação[2] sobre o centro-sul de Portugal, no qual se privilegia experiências localizadas entre o norte alentejano e o sul da Beira-Baixa. O foco são os resultados de trabalho de campo realizado a partir da vivência cotidiana proporcionada pelo recente período pandêmico[3]. Durante a pandemia, alguns, ou até os principais fatores de sociabilidade destas aldeias, se mantiveram, já que se trata de territórios de baixa densidade populacional e de práticas cotidianas de sociabilidade. Somam-se as atividades cotidianas de trabalho no campo, principalmente em torno do gado.
O trabalho que deu origem a este artigo permitiu a “incursão de campo” como condição de construção de metodologia investigativa. Como estrangeiro que desde algum tempo vive e estuda temas da realidade portuguesa, considerei a imersão no campo de pesquisa como condição para a percepção sobre os principais fatores que mobilizavam o cotidiano da aldeia. Tais fatores foram elencados e são apresentados com indicativo de organização metodológica a partir dos clássicos estudos de Bourdieu et al. (2010), que valorizam a “busca pela metodologia de pesquisa”, ou metodologia científica, tendo a etnografia como influenciadora do método mais do que como um método em si. Primando pela construção metodológica efetuada juntamente com à realização da própria investigação, ou, “no curso da pesquisa”, esta seria para este autor a principal orientação contra as “engrenagens de cozinha” que buscam construir respostas prontas ou escatológicas. Portanto, a “análise vivenciada” do campo social pela via etnográfica é a diretriz basilar em “busca do método”. Neste trabalho, valorizam-se os conceitos de sociabilidade e interação de Georg Simmel (2006) destacando também Tönnies (1995) e Mendras (1958; 1976) na apreensão dos conceitos de comunidade, ruralidade e sociabilidade. A empreitada da realização da pesquisa e a consequente construção do texto são resultados de experiência metodológica de natureza exploratória com elementos de reflexão prospectiva. Escrito a partir de investigação com recorte delimitado compreendido como o norte alentejano, objetivamos entender o território a partir dos traços gerais da intercorrência de fenômenos sociais contemporâneos e estruturantes.
Por se tratar de territórios de baixa densidade, opto por indicar a região genericamente como norte alentejano (ver Figura 1), tendo como orientação geográfica objetivamente identificável o distrito de Portalegre.

Figura 1 Mapa de localização geográfica do Alto Alentejo
Fonte: https://www.cimaa.pt/inicio/estatutos/
Valorizamos elementos centrais para a sociabilidade de aldeia (Simmel, 2006; Tönnies, 1995), que funcionam estruturalmente como formas de sociabilidade intensificadas em grupos de interesses como, por exemplo, criadores, compradores, população civil, funcionários públicos e pessoas reformadas. Formas de sociabilidade que vão paulatinamente se tornando rarefeitas na medida em que se afastam ou se aproximam dos grupos de interesse mais estruturados e com maior ou menor permeabilidade das influências externas. Estes grupos se entrecruzam mais do que anunciam e sugerem à primeira vista no processo interativo a que aqui apelidamos de “sociabilidade de aldeia”.
A “new pastorícia” é a nova forma de apascentar gado do norte alentejano. A alcunha “nova” deve-se justamente à constatação de que se trata de atividades valorizadas por uma nova prática agrícola ou agropastoril apreciada socialmente pelo mercado consumidor e institucionalmente pela própria Comunidade Europeia (vide políticas de financiamento e subsídios agrícolas). Entretanto, a “nova pastorícia” aqui tratada como “new” em alusão ao uso anglófono do que se pretende patentear como distintamente novo, guarda elementos estruturantes do passado endógeno do território. A recente valorização da carne de borrego do norte alentejano é o ponto nodal para este estudo do território. A “sociabilidade de aldeia” relaciona práticas do passado do território com pastorícia bem como elementos tradicionais ligados à própria cultura da transumância com outros da sociabilidade local nas suas múltiplas dimensões da vida de aldeia, com práticas “modernas” quase sempre desconectadas das usanças comuns do passado. O objetivo deste texto é analisar os elementos estruturais da sociabilidade local, considerada em microescala o ambiente de aldeias do norte alentejano, tendo como proposta metodológica arriscar uma leitura mais ampla para o contexto do “norte alentejano”
Para entender este processo de “new pastorícia”, o fator central foi a expansão da indústria da carne e da abertura de redes de exportação de carne de gado do tipo “carne do norte alentejano” ou “carne de borrego do norte alentejano”, incentivado pela indústria da carne Pasto Alentejano de Sousel[4], característica do desenvolvimento da região. A pesquisa da qual resulta este texto valorizou aspectos estruturais como ambiente, trabalho, desenvolvimento, paisagem, território, etc.
O elemento objetivo do desenvolvimento da indústria da carne funciona como uma espécie de “start” para fatores que promovem e incentivam a “recuperação viva” de habitus cristalizados no interior do território, o qual se considera aqui como campo no sentido dado por Bourdieu et al. (2010). O campo, por sua vez, como lócus atravessado por relações de poder, interesses e conflitos, guardando certo grau de autonomia em relação aos demais campos. Acontece um processo interativo dinâmico que relaciona fatores de ordem geral e da sociabilidade local, que busquei reconstruir e discutir. O cotidiano das aldeias estudadas orienta-se em torno de pelo menos três fatores também estruturantes: o envelhecimento da população ligada às aposentadorias (reformas) e da dependência das casas de repouso normalmente geridas pela Santa Casa da Misericórdia; o cotidiano da distribuição de favores pessoais ligados à agenda dos políticos de plantão; e o despovoamento do território incentivado pela emigração.
A emigração foi a resposta dada pela população das aldeias principalmente no último quartel do século passado. A esta resposta o autor italiano Sandro Mezzadra (2006), analisando a imigração na Itália contemporânea comparativamente com os escritos de juventude de Max Weber (Gerth & Writht Mills, 1982) chama-lhe “resistência”. A manutenção do sistema de latifúndios não permitiu grande mobilidade social. A saída para outros países, com especial atenção para França e para Lisboa ou Porto, ou mesmo para eixos ferroviários em franco desenvolvimento como o Entroncamento, foi a saída encontrada para a estagnação social, principalmente no segundo quartel do último século (R. Campos, 2022-2023). A parca valorização das terras, já pouco produtivas e com processo de mecanização refratário, facilitou a manutenção transformada dos sistemas de pastoreios. Mesmo com a emigração pequenos terrenos e extensões usadas para pastoreio, hortas de subsistência e barracões para guardar feno e animais foram mantidos com os antigos proprietários ou familiares, fator que permitiu que a desvinculação do território não fosse completa. Ocorre que, recentemente, o território vem sendo revalorizado pelas populações urbanas em busca de um passado mítico e idealizado (ver Figura 2). Muitos buscam a terra dos seus antepassados recriando tradições em torno da figura do pastor ou da ceifeira comum às campanhas do trigo[5].

Figura 2 Fotografia “tradições: a ceifeira
Fonte: Fotografia do autor.
Enquadramento teórico
O enquadramento temporal da pesquisa e deste trabalho se confundem com a construção metodológica. Para tanto, é preciso considerar dois aspectos basilares. O primeiro deles é referente à singularidade radical vivenciada pela experiência do isolamento social propiciado pela pandemia da COVID-19. A emergência pandêmica intensificou e alterou sem modificar as relações sociais das e nas aldeias, na medida em que não havia lugar mais seguro para se estar do que em aldeias com baixa densidade populacional como as do sul de Portugal. A sociabilidade destas aldeias foi intensificada pelo isolamento social já que as pessoas permaneceram ainda mais sós. Com a chegada “do (de um) estranho”, esta sociabilidade é subvertida: fazendo horta, criando animais, banhando nos rios, frequentando cafés, comprando nas vendas locais e emitindo opiniões sobre todo e qualquer assunto. Esta nova dinâmica altera sem modificar a sociabilidade da aldeia. Altera no sentido simmeliano, já que a chegada do indivíduo no interior do grupo social muda a composição e a correlação de forças dentro dos grupos de interesse sem, contudo, alterar a estrutura daqueles (Simmel, 2006). A estrutura dos grupos permanece a mesma, com especial atenção para a pastorícia (R. Campos, 2022-2023). Neste sentido a pandemia foi o aspecto conjuntural que intensificou o que já existia, permitindo generalizar uma leitura radical do território.
Apreciando o entendimento de Costa (2002) na senda dos estudos clássicos de Georg Simmel, para quem a complexidade da vida da metrópole seria capaz de encetar diferentes formas de sociabilidade, isto é, a valorização das sociabilidades, ou das relações sociais como instrumento socioantropológico em si mesmo. No caso da sociabilidade de aldeia, o que se verifica é multiplicidade de sociabilidades com o avanço da “realidade virtual”. Por outras palavras, formas, ou dinâmicas de sociabilidades que acontecem virtualmente no emaranhado de sociabilidades distintas que estabelecemos cotidianamente com diferentes mundos. No período da pandemia da COVID-19 as múltiplas sociabilidades virtuais se multiplicaram.
O isolamento social proporcionado pela recém pandemia da COVID-19, permitiu e promoveu ainda mais a intensificação de relações sociais mais localizadas em territórios de baixa densidade, como o Alentejo. A sociabilidade seletiva foi intensificada já que houve maior localização das pessoas em função das próprias políticas sanitárias adotadas. Dado que as longas distancias implicavam maior risco de contaminação devido a imprecisão do controle sanitário da pandemia, as pessoas passaram a viver de maneira mais localizada, evitando o convívio em zonas sobre as quais se desconhecia o controle sanitário, alterando a normalidade cotidiana em lugares de baixa densidade populacional, como no Alentejo. Ainda que a exposição em ambientes públicos e coorporativos de maneira geral aumentassem o risco de contaminação, com menos gente circulando, o risco de contaminação era diminuído. Os territórios de baixa densidade eram mais atrativos em relação aos ambientes urbanos. Entre os anos de 2021 e 2022 os maiores surtos de contaminação da COVID-19 no Alentejo aconteciam no interior dos centros de dia ou lares de idosos.
Santos (2022) e Greer et al. (2021) apontam que a pandemia foi um novo evento com relevância sociológica pelo fato de permitir novas formas de sociabilidade. Nos territórios de aldeias estudados, o impacto das políticas restritivas e de mobilidade em função da pandemia aconteciam de maneira frouxa e pouco vigilante. O retorno de pessoas para habitação secundária no território foi significativo. Alguns desses familiares eram de primeira ou segunda geração dos emigrantes da década de setenta. Havia mais gente nas hortas, no campo, na prática de esporte, nos passeios diários pelas ruas. Mais gente passou a praticar equitação e jardinagem. Este fenômeno de retorno ao campo ressignificado e transformado, designado pela população urbana como sendo neo-rural já acontecia, e foi radicalizado com a pandemia. Apesar do perfil heterogêneo destes neo-rurais, eles se articulam na definição terminológica congregando ou relacionando hábitos e práticas rurais e urbanas.
Dois Presidentes de junta de Freguesia apontam em entrevistas que o número de habitantes inscritos na secção de votação não corresponde ao número de moradores permanentes. Um dos motivos se prende com o fato de a região ser terreno privilegiado dos habitantes de habitação secundária, que declaram residência sem residirem no local. “Habitantes” que por motivos fiscais, políticos, morais etc., declaram residência, mas vivem em regiões de maior urbanização, recorrendo às aldeias em períodos festivos ou feriais. Soma-se que a pandemia colocou um número considerável de pessoas em teletrabalho, permitindo que os que tinham residência de habitação secundária recorressem a elas, escapando inclusivamente do controle sufocante dos grandes centros urbanos. Em entrevistas com proprietários de lojas de venda de materiais de construção entre os anos de 2021 e 2022, os respondentes mencionaram com entusiasmo o aumento da venda e reestruturação de casas de habitação durante o período pandêmico. Na sede de um dos concelhos do território, o relato de uma informante, funcionária de uma loja de materiais de construção, destacava o sucesso dos negócios. Apontava que imóveis em ruínas, casas fechadas há anos ou décadas, tinham sido vendidos entre os anos de 2020 e 2021. Reportou também que estes prédios estavam sendo recuperados no período. Em municípios com cerca de dez mil habitantes, o aumento da procura de casas à venda subiu 81% entre 2020 e 2024, aponta Sousa (2024).
Esta sociabilidade é trabalhada num contexto objetivo a partir de Georg Simmel (2006), valorizando a sociabilidade de grupo no caso dos produtores de carne, preferencialmente de ovinos denominados neste trabalho de “new pastores”. Para este estudo, recorreu-se ao conceito de sociabilidade de Tönnies (1995), considerando os dois tipos de sociabilidade identificados pelo autor, sociabilidade comunitária e societal. Contudo, a distinção entre estas duas sociabilidades não foram tidas em conta nesta análise. É o caso da distinção da sociabilidade mais enviesada dentro do ambiente das aldeias, a sociabilidade societal propriamente dita que ocorre no momento da venda dos animais para os compradores que levam a alcunha de produtores de carne. Ainda que o conceito de comunidade envolva laços formadores de identidade, com especial atenção aos laços de parentesco, cultura, religião, entre outros, entendemos que ele se confunde com o conceito de sociabilidade comunitária (gemeinschaft) descrito por Tönnies (1995). O ponto de entrecruzamento do conceito de sociabilidade de Tönnies, privilegiando uma sociologia de grupo de base simmeliana, é a intensificação da relação de compra do gado pelos atravessadores. O caso da indústria de carne do município de Sousel é o mais emblemático e exemplar desta microrregião.
Dentre os “produtos tradicionais portugueses”, destaca-se a “carne de borrego do norte alentejano IGP – Indicação Geográfica Protegida”, tida como sendo das melhores do gênero no mundo. Concorre em vantagem com a carne de borrego da Europa, e vence em qualidade e aceitação de mercado com outras provenientes da Grécia ou do Reino Unido, entre outros. A política da empresa compreende o abate destes animais com o peso de carcaça entre 9 e 15 quilos. A indústria de carne Pasto Alentejano propaga a história da família em três gerações com envolvimento no setor de abate de animais nos últimos 100 anos. Difundem a imagem do “borrego nacional por excelência” afirmando-se como líder no setor exportador de carne deste tipo para Israel, Egito, Emirados Árabes, dentre outros países do médio oriente e bacia do Mediterrâneo, mas também para Europa como França e Itália (Pasto Alentejano, s.d.).
A empresa Pasto Alentejano tem cerca de “três mil colaboradores” (os produtores que fornecem os borregos). Conta com aproximadamente duzentos empregados diretos. A empresa compra os borregos e faz o “acabamento” com pastagem e feno de qualidade, semeaduras do montado, folhagem, bolota ou lande[6]. Estes animais são “acabados” entre trinta e sessenta dias, depois passam por um processo da classificação de qualidade final, e por fim são convenientemente distribuídos entre o mercado interno (Portugal e Europa) e externo (Ásia e Médio Oriente) – (DGADR).
A marca do Alentejo é de extremos, com especial atenção para o fosso que separa os ricos dos pobres, conforme Cutileiro (1972). Historicamente, a estrutura do modelo de concentração fundiária com o desenvolvimento do capitalismo privilegiou a relação de assalariamento e o latifúndio monocultor. O desenvolvimento capitalista no Alentejo privilegiou o modelo da grande produção. Os dados do último censo agrícola, citados por Rodrigues (2017), apontam neste sentido, também no que tange ao tamanho médio das explorações agrícolas: Superfície Agrícola Utilizada (SAU).
A análise da SAU média por exploração permite-nos observar que a área média de SAU por exploração conheceu grandes incrementos entre 1989 e 2009. A área de SAU média das NUTS alentejanas situava-se entre os 31 e os 49 ha em 1989, tendo passado a assumir valores entre 48 e 70 ha em 2009. Quer em 1989 e em 2009, tratam-se de valores muito superiores aos valorizados no resto do Continente (4,05 e 6,46, respectivamente). (Rodrigues, 2017, p. 103).
Com grandes extensões territoriais e concentração fundiária, cerca de 60% do Alentejo está ocupado com produção agrícola e pastorícia do gado. Os outros 40%, com um modelo industrial bastante dependente da agricultura, como principais exemplos a carne, o azeite e o vinho (R. Campos, 2021). O sistema produtivo adapta-se às condições do meio, produzindo relações singulares como esta do Alentejo com um sistema de “new pastorícia”. No caso em questão a indústria da carne com assento no mercado global recuperou fatores de vocação do território ligados à cultura e à tradição: transumância, pastorícia, gastronomia popular, etc. Valorizando eventos de sociabilidade contemporânea como a sociabilidade presente nas aldeias em suas múltiplas dimensões e que este trabalho busca, em parte demonstrar, nos alinhamentos com argumento que aparece também nos estudos de Fernando Oliveira Baptista (1994) conhecedor do Alentejo e do processo de Reforma Agrária.
O Alto Alentejo apresenta uma topografia mais acidentada e solos rochosos e pobres com baixa porosidade. Estas características, associadas às políticas da Reforma Agraria nos pós 25 de Abril, preservaram paisagens e cenários seculares (ver Figura 3). São paisagens ligadas à preservação do território e acabam por ser aliadas da indústria moderna, principalmente da carne, do azeite e do vinho.

Figura 3 Preservação da Paisagem
Fonte: Fotografia do autor.
Entendemos especificidade como os elementos de sociabilidade, com intercorrências localizadas de maior calibre dentro do território, destacando a pastorícia, ou a new pastorícia. Ainda que um dos objetivos seja compreender esta new pastorícia no interior dos vínculos atávicos do território com seu passado e sua história, objetiva-se também compreender como a indústria da carne e a política de exportação e valorização do território redefinem o cotidiano da região e, particularmente, destas aldeias.
No fulcro das transformações estruturais que Portugal atravessa desde a adesão à Comunidade Econômica Europeia em 1986, algumas regiões ou contextos localizados souberam “aproveitar positivamente” suas experiências marginais e periféricas, transformando em tópicos modelares de produção de alimentos, paisagens, turismo, etc. A “vocação” para o azeite, com a marca distintiva mundialmente conhecida do “azeite português”, que é um caso mais recorrente no sul do território alentejano. Os campos de trigo de outrora, territórios que sofreram transformação da paisagem autóctone de pastagens e de espécies de quercus tornaram-se terrenos privilegiados para os olivais intensivos e superintensivos. Um sistema produtivo “new”, que aproveitou para se metamorfosear da presença dos olivais tradicionais consorciados com pastagens dos tempos da transumância. Uma característica muito presente também na Ibéria é a hibridização do antigo e do moderno, se apresentando com algo completamente novo (R. Campos, 2021).
A indústria da carne de Sousel (ver Figura 4) soube aproveitar a condição de marginalidade e subalternidade de empresa familiar em experiencia tópica, fiel representante da carne IGP, concorrente com empresas consolidadas mundo afora, já que consegue vender carne produzida no pasto. Noutras regiões do mundo este tipo de produção já havia se tornado economicamente inviável, tendo como saída a carne produzida de gado em confinamento. Das entrevistas realizadas durante a pesquisa, apenas dois produtores apontaram que para consumo doméstico abatem gado a pasto; os demais vendem seus animais para a indústria de exportação e acabam por consumir carne das grandes redes de supermercado que importam e vendem mais barato do que o próprio custo de produção local. A valorização e a preservação da paisagem aliadas à “conservação transformadora” como da “new pastorícia”, que se alinha aos muros de pedras, olivais tradicionais, etc. Esta metamorfose produtiva é propiciada também por este “cotidiano de aldeia” em que a emigração, o esvaziamento do território, a dependência de redes clientelistas e a concentração fundiária são fatores sine qua non.

Figura 4 Sousel: “capital do borrego”
Fonte: Fotografia do autor.
Método: a reconstrução do território
A reconstrução do cotidiano e da dinâmica destes municípios em territórios de baixa densidade privilegiou o “cotidiano da aldeia” via intercorrência daqueles que identifico como fatores centrais de sociabilidade. Tais fatores são: i) pastorícia: compreendendo toda atividade em torno do gado de maneira geral; ii) hortas: compreendendo a prática intercorrente de horticultura para consumo doméstico; iii) “dinâmica social da reforma”: cotidiano dos reformados da aldeia; iv) — cargos públicos da freguesia: compreendendo a rede de “dependência” estruturada em torno da distribuição de cargos e da permuta destes por apoio e favores políticos.
O conceito de sociação de G. Simmel (2006), apesar de originalmente ter sido construído para entender dinâmicas complexas entrecruzadas de sociabilidades nas grandes metrópoles, é adaptado para a realidade estudada. Partindo do entendimento apriorístico segundo o qual os indivíduos enquanto sociedade são uma unidade indissociável, componho duas dimensões interdependentes que gravitam buscando satisfazer a unidade complexa a que abstratamente chamamos de sociedade. Tais dimensões, forma e conteúdo (Simmel, 2006), estruturam a multiplicidade “anárquica” de “sociações”. Os aspectos aparentemente multifacetados do cotidiano ligam os indivíduos em “micro-totalidades correspondentes”. As dinâmicas elencadas em quatro fatores (pastorícia, horta, reforma e cargos públicos) são micro-totalidades que permitem a sua compreensão desde uma perspectiva sociológica. No caso, o território entendido como Alentejo, ou a micror-região do norte alentejano, é algo maior e mais complexo do que a leitura que podemos fazer dele de forma metodologicamente orientada. O território é sempre uma totalidade mais ou menos abstrata e ao mesmo tempo mais ou menos objetiva. O conceito de sociabilidade de Tönnies (1995) permitiu compreender como unidade composta por níveis basicamente societal e comunitário, “eliminando” ou não considerando neste estudo a noção de comunidade ou identidade. Os grupos no sentido simmeliano abarcariam as duas dimensões de sociabilidade trazidas por Tönnies (1995). Tais aspectos são, portanto, como para Mendras (1976), autor clássico sobre o estudo de comunidades rurais, as “relações sociais diferenciadas” ou então “relações de interconhecimento”. No sentido colocado por Mendras, a chave do entendimento da micro-totalidade é a categorização das intercorrências (micro) sociais, ou “complexidades restritas que compõem uma totalidade unitária”.
O “meio” rural é um campo de investigação para todas as ciências sociais e seu estudo não poderia constituir uma disciplina autônoma. Os geógrafos que analisam as relações entre o homem e o meio natural e a distribuição espacial dos fenômenos humanos começaram naturalmente a se debruçar sobre o campo. A economia rural é um ramo (um dos mais antigos) da economia política. Ligando-se a um passado em que a agricultura era a atividade exercida pela maioria dos homens, a história social dá um grande destaque à descrição da vida camponesa. Os etnólogos estudam as estruturas ditas ‘arcaicas’ nas quais a busca ou a produção de alimentos ocupam todos os homens. Enfim, citadinos e rurais interessam igualmente ao psicólogo, ao demógrafo, etc. Enquanto homens iguais aos outros, os rurais também dizem respeito a cada ciência social. Entretanto, eles vivem em um meio particular que requer uma certa especialização do pesquisador e, às vezes, uma problemática diferente. Como o etnógrafo, o sociólogo rural deve, portanto, conhecer os métodos e as técnicas de todas as outras ciências sociais, a não ser que conte com a colaboração de uma equipe de diversos especialistas.” Encontra-se aqui uma profissão de fé que remete ao que se chama a interdisciplinaridade dos “ruralistas”. (Mendras, 1958, p. 316)
A sociologia rural, para Mendras, compunha especificidades a serem caracterizadas (estudadas) pela ciência (etnografia), não sendo elas especificidades em si.
A opção pelo anonimato foi um princípio para preservar as identidades, uma vez que as narrativas são facilmente identificáveis. Deste modo, os nomes foram ocultados ou trocados. Também o fulcro dos temas tratados consoante os objetivos da pesquisa e do recorte focam uma macro-estrutura genérica considerada neste caso como Alto Alentejo, ou norte alentejano. Os resultados da pesquisa que propiciaram o texto são extensivos da reconstrução de um território: o Alto Alentejo.
Pastorícia
O território Alto Alentejo é conhecido como “vocacionado” a pastorícia. A prática da transumância visava as terras baixas do Alentejo nos períodos invernais, quando a erva estava verde, em detrimento dos frios mais rigorosos e da neve nas regiões de montanha. Com as transformações a que o território tem sido sujeito, esta realidade se transformou na dinâmica duma “new pastorícia”. Atualmente, a orientação e o movimento principal do cotidiano destas aldeias são em torno da atividade pastoril e da produção de carne. No caso do norte alentejano, conforme aponta Rodrigues (2017), houve, entre os anos de 2009 e 2016, um crescimento de 70% dos terrenos utilizados como pastagem permanente:
Em todo o Continente a área de pastagem permanente aumentou mais de 900.000 ha. Destes, mais de 700.000 situa-se no Alentejo. A área de pastagem permanente aumentou de 21% para 57% no Alentejo. No Alto Alentejo e no Alentejo Central, a proporção de pastagem permanente é maior que 65%. Acrescenta-se que mais de 1.000.000 de ha das pastagens permanentes do Alentejo estão em explorações com SAU superiores a 50 ha. (Rodrigues, 2017, pp. 104).
A “new pastorícia” (ver Figura 5) deve ser compreendida no contexto das grandes transformações econômicas por que tem passado Portugal, principalmente desde a segunda metade do século passado. O principal fator objetivo e concreto deste processo é a intensificação da indústria da carne vinculada ao território do norte alentejano, tendo como expressão real a empresa de Sousel, “Pasto Alentejano” (R. Campos, 2022/2023).

Figura 5 “New pastorícia”
Fonte: Fotografia do autor.
De um total de onze “pastores” – criadores de gado — com os quais trabalhei, tem-se o seguinte resultado: i) — seis deles possuem apenas ovelhas; ii) — um possui apenas vacas (ver Figura 6); iii) — dois possuem ovelhas e vacas; e iv) — outros dois possuem ovelhas, cabras e vacas. Em relação à propriedade e ao uso dos terrenos para pastagens, a situação é a seguinte: 30 % são de pastos a renda; 70% pastos a renda e mais terras como proprietários; e nenhum caso apenas de proprietários. Isso considerando cerca de mil hectares de terrenos em pastagem. Tais terrenos são utilizados maioritariamente de duas formas: os maiores são arrendados a pagamento em dinheiro, feito anualmente, com contratos solenes ou tácitos; os menores são dados ao uso em troca da limpeza dos mesmos, ou então, os considerados terrenos médios, que possuem entre um e oito hectares, são dados em troca de favores ou cabeças de gado. As cabeças de gado são sempre borregos pagos em datas festivas e entregues mortos, quase sempre na Páscoa e no Natal. Os favores variam, como pequenos reparos domésticos e eventos da gestão do cotidiano, o transporte de pessoas idosas para compras e médico, etc. Um fator que deve ser ponderado, segundo vários relatos, é que terrenos à renda têm sido mais vantajosos que à compra, uma vez que, com o aumento da pastorícia e da aceitação da carne no mercado externo, os terrenos têm se tornado cada vez mais caros. Por outro lado, como estes terrenos até então valiam muito pouco, os proprietários originais preferiam manter seus terrenos, ou terrenos dos pais e avós, mesmo até por motivos afetivos, cedendo a uso.

Figura 6 Vitelos em desmame
Fonte: Fotografia do autor.
O entrecruzamento da pastorícia com as dimensões dos demais grupos de interesse são absolutas. Todos os casos estudados indicam propriedade de hortas, pertencimento à dinâmica social de reforma, e, de maneira absoluta, o estudo revelou que todos os servidores públicos das aldeias têm relação direta com a dinâmica da pastorícia, quer seja de meia dúzia de cabeça de gado ou de centenas delas, conforme a pesquisa pode demonstrar.
Hortas
As “hortas domésticas” são uma presença constante nas aldeias do Alentejo. O hábito alimentar da população local inclui, predominantemente tomate, cebola, batata e a couve, que normalmente são plantados localmente em pequenas hortas domésticas e que complementam a economia familiar. Esta prática de pequena agricultura só é possível porque existe uma população envelhecida, com pouca opção de dispor de tempo livre. Alia-se o hábito geracional de fazerem hortas e a baixa oferta local nas poucas vendas existentes. Das doze entrevistas semidiretas realizadas, seis pessoas dependiam exclusivamente de transporte público ou de favores de vizinhos e familiares para se deslocarem até à sede do concelho, onde encontram redes de supermercado. A prática das hortas domésticas é uma atividade exercida exclusivamente por reformados. O envelhecimento populacional no Alentejo, associado ao hábito de cultivar a terra como forma de economia doméstica, dinamiza esta prática (Freire, et al.., 2024). Destaca-se a prática milenar de consorciarem plantas de oliveiras (ver Figura 7) com pastagens para o gado em sistema de recolha, que é uma prática pré-agrícola”.

Figura 7 Pastorícia, hortas e oliveiras
Fonte: Fotografia do autor.
Dinâmica social de reforma
O cotidiano destas aldeias é permeado pela sociabilidade de pessoas “reformadas”, como se diz por ali, ou então aposentadas, como termo correspondente no Brasil. Estes territórios de baixa densidade populacional têm poucas oportunidades de investimento e de trabalho, o que dificulta a fixação dos mais jovens no território. A própria pastorícia ou a produção agrícola de larga escala, como nos olivais superintensivos, privilegia o latifúndio monocultor de grandes investimentos tecnológicos, demandando pouco emprego de mão-de-obra (R. Campos, 2021).
Portugal tem cerca de quatro milhões de reformados, conforme descreve Sampaio (2023), com o norte do Alentejo a fazer parte deste valor, sendo que são mais visíveis no sul, dada a baixa densidade populacional. O envelhecimento da população europeia e portuguesa é, de uma maneira geral, mais visível no Alentejo. Os “pensionistas de velhice” são mais de metade do total de aposentados no país e recebem uma reforma inferior ao salário ou “ordenado mínimo nacional” (Pordata, 2023).
A visão geral para quem entra na maioria das aldeias do vasto território alentejano está ligada à imagem de uma população idosa que se movimenta em torno de suas vidas: o trabalho nas hortas, das dádivas dos produtos de hortas entre vizinhos, do hábito de passarem – particularmente os homens – horas intermináveis nos cafés, do vaivém das senhoras às vendas da aldeia, e da presença cotidiana do fluxo dos centros de dias, da “carrinha do centro de dia” que leva almoços e presta serviço de assistência doméstica a uma população tanto envelhecida quanto dependente.
Cargos públicos da freguesia
Cada uma destas aldeias conta com serviços a cargo de funcionários das autarquias “para limpeza geral”, manutenção de estradas e serviços administrativos. Gozam de relativa autonomia com relação à sede do concelho para disporem como melhor lhes aprouver do emprego dos recursos e dos esforços na gestão dos serviços essenciais da aldeia.
Em aldeias com registro de habitantes em torno de 180 a 370 moradores, são, em média, três a sete funcionários da junta de freguesia que prestam serviços. Além dos esporádicos e eventuais garantidos pela sede do concelho, como aqueles ligados a políticas culturais nas festas de verão, manutenção de rede de encanamentos e fornecimentos de serviços essenciais, etc. Todos os servidores públicos com os quais trabalhámos, de um total de dez, tinham ligação com os outros três grupos de interesse, com destaque para a pastorícia, o que nos leva a considerar a “new pastorícia” como o fator estruturante do território.
Conclusões
Os temas aqui tratados foram construídos valorizando o estudo etnográfico metodologicamente orientado. Buscamos entender dinâmicas locais em torno do território, ou estudos territoriais (Abramovay, 2006). Nesta empreitada, muitos temas correlatos não foram tratados com destaque para os dados sob a indústria da carne.
Diferentemente de outras regiões de Portugal, especialmente das Beiras, em que a emigração para outros países da Europa, como Luxemburgo, França e Suíça foi marcante, no Alentejo, predominou a migração interna. No mais das vezes, a imigração do Alentejo acontece para a franja industrial de Lisboa, ainda que considerando períodos distintos, já que, durante o Estado Novo, predominava a saída do país em busca de salários mais altos. Pinto e Rodrigues (1996), no socalco do que diz Madeira (2004), escreveu sobre a construção da rede de ação Partido Comunista Português (PCP) no Alentejo.
As poucas lutas referidas anos sessenta dentro e nos anos setenta são inexpressivas, havendo mesmo anos sem qualquer referência a movimentos sociais rurais. O Alentejo, entretanto, vai se despovoando. No período de 1951 a 71, os distritos alentejanos perdiam cerca de 304.500 habitantes. (Madeira, 2004, pp. 130-131).
O despovoamento do território, aliado à emigração, sugere que a população das aldeias alentejanas tem no êxodo, na saída, fator de resistência construtiva em busca de melhores condições de vida (Mezzadra, 2006). Este percurso de negação de uma condição presente aliada à pobreza e à baixa expectativa de conseguir trabalho, parco acesso aos mercados, pouca chance de profissionalização e qualificação profissional, etc., relativamente aos centros urbanos e ao contexto internacional, são o ponto essencial da saída como fator de resistência. Emigrar é um movimento em busca de “novas sortes”, como afirmam os alentejanos. Este processo construtivo anima expectativas e anseios que se descolam da materialidade e da subjetividade restrita do mundo das aldeias. Os “new pastores” não são os neo-rurais. Estes aqui se caracterizam pelo potencial ampliado e construtivo da emigração, enquanto os primeiros são “novos produtores de carne” que se conectam com as transformações globais do mercado.
O entrecruzamento de fatores de interdependência dos grupos de interesse, e principalmente a sua radicalização, permite um melhor entendimento de uma “new pastorícia”, sugerindo que esta vai muito além da dinâmica da criação de gado ou então, englobando elementos de sociabilidade que depois se materializam na valorização do território “vocacionado à pastorícia”. A generalização apontada como “sociabilidade local”, ou mesmo “sociabilidade de aldeia”, ganha elementos explicativos a partir da realização da pesquisa estruturada. A sociabilidade da aldeia, ou a singularidade desta sociabilidade experimentada durante um momento singular da história recente que foi a pandemia da COVID-19, sugere a produção de dados e interpretações originais, a partir de singularidade metodologicamente orientada.
A dinâmica de estudos em torno da sociabilidade das aldeias de baixa densidade do sul de Portugal são sugeridos principalmente após a explosão produtiva do território em torno do azeite, do vinho e da carne, aliado ao potencial da indústria do turismo em Portugal. A dinâmica dos estudos territoriais tem descolonizado dois entendimentos equivocados. O primeiro deles segue o modelo de desenvolvimento do século passado, segundo o qual as dinâmicas de sociabilidades complexas dos territórios urbanos é que de fato interessariam; uma outra vertente cai no mesmo erro, ainda que por um outro caminho, pois caracterizam os territórios rurais como locais singulares e específicos que devem ser estudados via ferramentas e engrenagens teóricas próprias e específicas. O entendimento deste trabalho é que os territórios, para além dos territórios rurais e urbanos conforme Mendras (1958) ou Bourdieu (2010), devem ser tomados como singularidades totalizantes.
Referências
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Data de submissão: 29/01/2024 | Data de aceitação: 19/12/2025
Notas
Por decisão pessoal, o autor não escreve segundo o novo acordo ortográfico.
[1] Este texto foi elaborado a partir da comunicação apresentada no GT: Territórios: cidades e Campos, do XII Congresso Português de Sociologia.
[2] Projeto de investigação docente desenvolvido junto a UFG – Universidade Federal de Goiás intitulado: “Território, empreendedorismo e pequena agricultura em aldeias do centro sul de Portugal” e projeto de pós-doutoramento desenvolvido junto da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Évora — CICS.NOVA e IHC, intitulado: “Território, agricultura e ruralidade em aldeias do centro sul de Portugal a partir da revisitação dos temas: baldios, camponeses e proletarização agrícola”.
[3] A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o SARS – CoV-2 (COVID-19) como pandemia em março de 2020. Em maio de 2023 a OMS anunciou o fim do período de emergência pandêmica no âmbito do qual o isolamento social foi estabelecido como principal medida para contenção da propagação da doença.
[4] A empresa familiar Pasto Alentejano é a maior unidade de produção de carne de Portugal, particularmente de ovinos. Trabalham com “colaboradores”, ou seja, com produtores independentes de quem compram os borregos, que são “acabados” às expensas da própria empresa que depois abate e comercializa a carne, ou os animais vivos, principalmente no mercado internacional e particularmente no Médio Oriente.
[5] Campanhas do Trigo: política pública de incentivo à cultura do trigo. Lançada em 1929 e tendo apresentado resultados rápidos como autossuficiência de trigo e produção de excedentes, em 1932 já apresentava desgaste enquanto política de Estado e viabilidade, já que houve um rápido desgaste dos solos aliado a crescente viabilidade da política de exportação do trigo.
[6] A bolota é o fruto da azinheira e a lande do sobreiro. Ambas são da família quercus, árvores que estruturam a cultura do sul de Portugal no “sistema de montado”. Ambas são utilizadas, inclusivamente, no trato do gado.
Autores: Ricardo Luiz Sapia de Campos